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sexta-feira, 21 de março de 2014

Ode às girafas de pescoço curto AKA seleção natural

    Certa vez pensei ter visto a eletricidade passando por um fio no poste na rua. Foi tão rápido, um relance. Mas seria tão improvável tal fenômeno Thoriano que prefiro acreditar ter sido o reflexo de algum farol.
    Como os aviões que quando estão tão longe, pequenos e silenciosos, por um segundinho que seja, pensamos ser cometas. Mas sendo aqui tão perto do aeroporto, os aviões passam tão baixo e tão gordos e barulhentos que eu posso até ler-lhes os nomes das companhias na lateral. Então deixei de acredirar em cometas. E mesmo que esteja vendo um, vou dizer que é só um avião em outra rota, longe. Os aviões graúdos que me acordam de manhã são como a realidade. A realidade pesa e acorda de um jeito incômodo.
    Eu muito queria entender quem consegue aderir à realidade por inteiro. Pois eu, mesmo que tenha sido lançada dentro dela, vou sempre ver primeiro no raio de luz atravessando o fio e depois suspirar triste "farol. Não que seja altamente relevante a visualização de um pequeno fenômeno, mas pessoas que visam a fuga da realidade tem uma queda pela quebra da mediocridade.
"Medíocre". Eu sempre usei tanto essa palavra. Tantos anos de excentricidade. Pra agora só acreditar em aviões. Mas o que me restaria, de qualquer forma?
    Como aquela vez que pensei ter visto uma faísca de amor nos seus olhos. Foi tá rápido. Um relance. Mas seria tão improvável tal fenômeno platônico que só me resta acreditar ter sido um reflexo dos meus se afogando no lodo insosso que dizem dar acesso à sua alma. E lá dentro eu me afogava em mil questionamentos e charadas e mesmo presa na cor de areia movediça, tentei nos puxar pra fora das companhias aéreas (tão reais!) E te levar a contar os cometas da vida, mesmo que eles não existam. Afinal, as vezes o melhor da vida nem é real. Mas era tarde de mais, pois na verdade seus olhos refletiam um "eu"que você nem sabe se conhece. E a quem você dá faróis.
    Talvez você seja uma dessas pessoas reais que só acreditam em avião. Não necessariamente medíocre, mas bem avião. Bem farol.
         E isso dá medo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A facilidade que escolhi

   Quem dera fosse difícil amar.
   Quem dera fossemos pedras secas de onde se sobe o pó e reluz o sol, impenetráveis e imutáveis, foscas e ranhosas. Seria tão mais simples, tão mais prático, talvez.
   Mas, não. Amar é fácil, quando vemos já aconteceu. Quando vemos já estamos sorrindo sozinhos, dando bom dia pra estranhos e fazendo planos com alguém que passou a significar mais que nossos próprios planos secretos e solitários.
   Não mais secretos, tampouco solitários.
   Quando vemos, estamos gritando que nosso amor é maior que todo e qualquer amor já confessado nesse mundo, maior também que os que ainda serão sentidos, escondidos ou declarados. E por mais que todos os amantes possam dizer o mesmo, no fundo continuamos pensando que só o nosso é assim tão grande. É tão bobo.
   E é tão difícil ser então essa pedra esperta, inteligente e incapaz de amar, que você se esforça, nega, tenta não sorrir, não pensar. É difícil não amar. Você precisar dizer muitos "não quero" e "não posso" que talvez não existam. Você precisa criar tantos problemas imaginários. Você precisa acreditar que é bom ser tão duro assim, com aquele olhar cansado de quem não dormiu por lembrar de quem não se ama, porque não ama!
   Fácil é confessar que depende de alguém pra estar bem, que você não vive mais só por si. Que os problemas que você inventa, até que existem, mas são irrisórios perto daquilo que você se nega a sentir.
   O amor é fácil como se deslumbrar com a natureza após soprar um dente de leão, como gostar de pisar no chão de madeira que não conduz calor, numa noite fria. E é leve como chá de bergamota numa tarde de chuva.
   Difícil é negar pra si mesmo a beleza de um pôr do sol quando ele está se escondendo atrás do mar, na sua frente. Ou negligenciar o sono, com suas pálpebras já fechadas. Mas mesmo assim, o amor é descartado. Há quem consiga, há quem se esforce.
   E depois de transformado, de blindado, de congelado, seu coração parece feliz, mas está entorpecido pela necessidade que você constrói. Mas sem amar você sabe, no fundo você sabe, que é a vida é como um passarinho e se o amor é brisa, quando venta dói.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Re-nato

O meu brasileiro favorito está morto
E ainda assim me faz ter um pouco de orgulho deste país
Um lugar que cultivou alguém assim merece minha admiração
E se ele nascesse mesmo de novo
Poderia me ouvir dizer
Que amo "a porra do Brasil"
Mas ele ouve.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Quase nada

Sei bem de onde tirei essa mania absurda de não gostar mais de nada. Nada mais surpreende, ou se faz especial. Nada é bom o bastante. Nada agrada. Nada é original ou digno de atenção. Nada merece ser analisado ou compreendido. Nada me desperta. Nada me satisfaz.
                Só você.
E por sua vez, você faz tudo parecer um pouco melhor.
Mesmo que que ignorável, medíocre, sujo e desimportante, por algum motivo esse mundo me parece melhor. E já que vive nele, talvez seja.

sábado, 5 de maio de 2012

Lixo espacial

Alguns sentimentos precisam ser guardados em uma caixa velha, daquelas que você acha que nunca mais vai usar o que tem ali, e joga em cima do armário e bota outras por cima, e deixa lá até empoeirar.
até você esquecer que tem. E vai que um dia você joga fora sem ver e aí...
                                                                                                           Não tem mesmo.

sábado, 28 de abril de 2012

Expecto Patronum

O mais lindo dos cenários possível. Algum lugar ainda não tocado pelo homem. Estávamos deitados na terra, ou areia, ou grama, ou pedra, ou flutuando na água. Havia um silêncio maior que a vida. Não era preciso palavras para que nos entendêssemos. Não falávamos. Só olhávamos. De perto. É essa a lembrança.
Eu nem sei se ela é real.
Mas é a melhor que eu tenho.

terça-feira, 24 de abril de 2012

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Casa de Madeira

  E então, quando penso no futuro, idealizo paz. Por mais que mude o cenário e a figura de minha vida, nela sempre imploro por paz. Não aquela alegria exagerada. Isso é tão pouco. Paz é sólida, constante. Posso dizer que sinto isso pela primeira vez esse ano. E quando penso no que sinto, não posso não me lembrar do que canta alguém admirável, em versos brandos que dizem:
  "Quero viver a vida e nunca ser cruel.  Quero viver a vida e ser bom pra você, voar e nunca voltar, e viver minha vida com amigos em volta".
  Ele estava certo o tempo todo. Nós nunca mudamos. Nós nunca aprendemos.
  E acima de tudo, ele estava certo sobre ser mais fácil morar numa casa de madeira.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Medo de altura

   E o pintor que se arrisca no décimo primeiro andar do edifício não sabe que o vejo da janela. Não sabe nem que está neste texto que escrevo. Talvez nunca saberá.
   Eu queria saber o que ainda não sei. Eu queria contar a ele que faz parte do que escrevo aqui. Mas é arriscado e tenho medo de altura.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O Único

  Sorri e vira os olhos para a esquerda e direita, como se procurasse por uma resposta tímida e engraçada.
  Pede para que eu confesse. Pede sem querer. Inocência irônica que me alegra. O tanto que te confio é o tanto que te escondo as coisas. Sinto muito se não quero espantá-lo. Não é questão de querer, mas poder. É isso: Não posso espantá-lo. Me devo isso.
  "Seria um desespero perder alguém tão..." puxa, não consigo completar. Pensei em vários adjetivos, mas nenhum é completo. É o único que não consigo nomear. O único.
  Pensei por algumas horas que o havia perdido e foi simplesmente um inferno mental. Mas essa história pertence a outro texto.
  Já este é sobre tudo que vejo, tudo que decoro, tudo que sei, tudo que tento não transparecer. (digo "tento" porque não sou boa nisso. Sou péssima em qualquer tipo de fingimento). E também sobre tudo que me remete àquele olhar vacilante e curioso. Cada cor, cada som, cada cheiro, cada angústia, cada medo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Folk-se

Gosto do Folk de todas as suas formas. E quando se trata dele, poso sentir aquele aroma confortável. Como quando o perfume está no corpo desde ontem. Cheiro amadeirado e incorporado à essência de cada pessoa. O Folk meio que tem vontade própria. Não é sempre que se pode sentir.
  Personalidade terrosa. O movimento sempre me trouxe sensação de paz. A instrumentalidade cigana é sem compromisso. Livre. Folk traz liberdade e ao mesmo tempo nos prende a ele. Traz também calor. Não o calor ruim e cansativo, mas aquele que a gente pede num dia frio. Deve ser todo aquele marrom. Marrom, vermelho, bege, vinho, roxo. Franja, camurça e flanela ( com o perdão do grunge, primo pobre). Folk nos dá mesmo a vontade de juntar todos seus elementos em um caldeirão e tirar a perfeição de lá.
  Essa veia é capaz de curar qualquer esgotamento. Meu terapeuta se chama Bob. Bob Dylan é mesmo muito bom. A música dele cheira a Macramê e perfume doce no papel. Gaita que chora comigo, ambas sem lágrimas. Bandolim que será jovem para sempre.
  Beirut pode ser perturbador, mas perturba só aquilo que temos de mau. Sei disso pela leveza que sinto após ouvir qualquer coisa deles. Vozes zonzas que limpam.
  Resta ainda a pessoa folk. Alguém bem caramelo. De olhos distantes, como se estivesse sempre compondo na mente, a mais bela das canções. Também parece ter sempre terra no cabelo. Aquela sujeira que a gente quer abraçar. São pessoas tão lindas! De todas as formas.
  Tenha a sorte de conhecer alguém bem folk. Por favor! Saberá ao vê-los. Terá a sensação de ver algo de palha e te transmitirão paz. Aquela paz que citei no início. Aquela paz e aquele calor.
  Pergunte se sabem tricotar, ou se tocam algum instrumento. Pergunte se gostam de pedras, flores secas, ou penas, ou se falam algum idioma esquecido pelo resto.
  Não esqueça de me contar como foi.

sábado, 25 de junho de 2011

Hiato

  Houve um tempo em que eu poderia fazer cinema. Era assustadora a quantidade de personagens e scripts que eu criava sem querer. E todas as pessoas,cada uma com sua personalidade, saíam de mim. E era preciso tão pouco. Bastava uma pedrinha no quintal ou o movimento que uma árvore fazia ao vento. Estavam todos ali. Dentro e fora de mim, de algum jeito. Eu sabia tudo que diriam, como diriam e o motivo. Eu já fui perita em criar histórias. Até boas. Eram como livros ilustrados na minha mente. Sempre ali, me acompanhando. Havia muito de mim em todas as minhas pessoinhas. Criaturas. Imagem e semelhança, humanos.
  Mas confesso que depois de você, todos morreram. Não consigo mais penetrar em meu próprio imaginário. Tento colocá-lo em alguma história. Não consigo. Tento fazer com que decore meus scripts, mas você é imprevisível. E sendo imprevisível, me cativa. Seu jeito não habita minha mente. E por não habitar, me encanta. Me faz preferir o real, me faz preferir aquilo que não escrevo e não controlo: A vida - Ela me parece melhor agora, sim. "Sim" sempre soa tão bem!
  Não quer dizer que eu tenha deixado meu mundo das ideias para trás. Você o habita. Mas te prefiro aqui, vivendo por si. E te preferir vivo é tão bonito pra mim, uma egoísta frustrada. E jaulas mentais não cairiam bem em você.
  E o melhor de tudo é saber que mesmo livre, não fugirá.
  E eu que pensei que encontraria inspiração em você. Se bem que...Se olhar para cima, você diria que eu encontrei. Sim.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sol e Netuno

- Eu te amo
- Por que?
- Hum?
- Me ama por quê?
- Ora, não me chateie com suas perguntas.
- Mas precisa haver um motivo.
- Mas eu não sei qual é. Não me apavore!
- Não pretendia.
- Tudo bem.
- E então, por que?
- Não vai desistir, não é?
- Não pretendo.
- Vejamos... Te amo porque também me ama.
- Tudo bem. Serve.
- Então me ama mesmo?
- Sim. Amo.
- E por que?
- Porque não há outro como você. É único no mundo.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Alívio

   Depois de um banho quente e vestir um pijama nem tão quente assim, vou dormir.
   Quase me esquecendo de que esse dia começou de maneira tão trágica e desesperada. Mas eu já devia saber que o Sol não sairia do céu sem que tudo se acertasse. Acho que são assim, os problemas. Eles não decidem seu desfecho baseando-se em nosso grau de preocupação. Problemas são testes de paciência e auto-controle. Mas mesmo sabendo disso sismamos em nos preocupar. Somos tão falhos. Confessando isso, deixo meu Boa Noite.
   E tenho certeza de que amanhã será um lindo dia, cheio de problemas que se resolverão antes das cinco, mas lindo.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Engano

  Ri de mim mesma outro dia. Não precisa saber por que, mas só de pensar que eu errei... Difícil admitir um erro. Mas esse não tem escapatória.
  Confessei. Disfarcei.
  Agora, começar de novo, é claro. Mesmo meio decepcionada e sem energia.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Temporal

  E só os faróis mostram como as gotas de chuva dançam bem. Dançam ao som do capim se deitando. As árvores deitam-se também, em um tom mais agudo, mas essas não se ergueriam novamente.
  Nos meus olhos, mais cascalho que água. Os postes do bairro apresentavam uma luz embaçada. Poeira. Sim, trabalho do vento. E que vento! Nunca ventou assim.
  Mas agora, as nuvens afastaram a Lua de mim essa noite. A minha Lua.
  E você nunca diz o que sente. É que nem essa tempestade: Cheio de coisas bonitas, mas sem trovões.

sábado, 4 de junho de 2011

Devagações

  Página difícil de virar, você é. Me faz até duvidar da minha capacidade de superação.
Logo eu que aparentemente superei coisas dificílimas. Mas a pergunta é: Quero virar essa página? ou Preciso virar essa página? Não e não.
  E pensar que eu estava mirando no alvo certo de maneira errada.
  Será que eu ainda consigo reconhecer uma situação de perigo? Se bem que se tratando de você, qualquer coisa é perigosa. Não, se for olhar pelas suas convicções, mas sabe do meu medo de perder o que amo.
  Tem outra coisa que eu gostaria que soubesse também, mas..., não. Ainda não. Está ótimo assim.

Pequena

Já que era pra me dar tristeza, que fosse aquela tristeza interessante que valia a pena. Porque essa me deixa sonolenta. Essa é pouco. É pequena.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Universo

Gosto quando alguém chega assim trazendo consigo todo um universo, e me deixa fazer parte sem pedir nada em troca.
Gosto mais ainda quando não é qualquer pessoa, e sim aquela que nunca será esquecida.
                                  Não por mim.