Mostrando postagens com marcador Relatos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Relatos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Céu claro de inverno

Pro meu Border Collie

   Naquela manhã  quando nos deitamos em silêncio, para não despertar o tempo e fazer com que ele passe, nos abraçamos o mais próximos possível e enquanto eu corria as pontas dos dedos pelo seu corpo, meus olhos estavam abertos acompanhando-os. E eu não fazia um mero carinho que qualquer ser afetuoso seja capaz de dar e receber. Eu estava tentando mapear suas constelações  de pintas e sardas. Decorando a posição  de cada vírgula e ponto final conferidos a seu corpo para eu não tropeçar nas palavras uma próxima vez.
   E se são constelações, sei que o universo nunca para de expandir-se. Seria então uma bobagem tentar mapear.
   Mas quando ficamos assim entorpecidamente unidos e sem pensar em mais nada, tenho certeza de que a Terra não está se movendo no espaço, até que me provem o contrário.

sábado, 28 de março de 2015

Monó(volta)logo interior

   Me pergunta se acredito nessas coisas. Como se no fundo não acreditasse também. Ora, por que brincar de negar certas evidências?
   Se o orgulho, como muito foi dito, é uma particularidade minha,entenda que seu braço não é tão difícil de dar a torcer. E mesmo que minha influência não seja negativa, você pode acatar às vezes.
   Já não está farto de ler meus pensamentos? Pois isso está ficando cada vez mais fácil. Leia, portanto, meus olhos, que dançam fugindo dos seus. Não porque não se gostam, mas por medo de adormecerem para sempre, contaminados por esse sono bêbado que carrega dentro deles. Essa calma risonha que por um segundo mata minhas preocupações.
   E é tão engraçado quando tenta fazer piadas sobre amor, enquanto eu rio levando a sério, e mesmo assim nunca usei essa palavra. Ainda estou esperando que suba para minha cabeça, na corrente sanguínea, todos os caquinhos de amor que há muito se espalharam pelo meu corpo a fim de eu conseguir me mover em volta de tudo isso.
   E mesmo que essa piada tenha sido péssima, Senhor Exclusivo, pela primeira vez me sinto mais boba que você.

sábado, 28 de junho de 2014

Inconsciente

Recentemente percebi que tenho
Mais roupas cinzas do que eu pensava.

Feliz Aniversário.

sábado, 23 de novembro de 2013

Silver lining

   Quero falar do vazio. Do gigante, que não fecha, que não cessa. Não quero falar de amor, ou de ódio ou de indiferença, só o vazio que não vai, que me cai.
   Que sempre esteve aqui e sempre estará, que pulsa e aperta e venta. Que nada cabe, nem ninguém. O buraco sem fundo que não tem tampa. Que não é janela, que não dá resposta, nem tem outro lado.
   A grande tristeza, que nem é triste, que é oca, sem ar, sem temperatura. Entorpecência que me acompanha lado a lado pela vida e que às vezes me dá "oi". Só pra eu saber que ainda está ali, só pra brincar de inspiração, só pra ter certeza de que me é confortável, que eu sinto falta, que eu sigo à risca uma frase boba que li de uma entrevista desinteressante. "Felicidade demais cansa". E assim, até cavo o próprio vazio só pra me esticar pra fora e sair pra respirar depois. Sair e escrever bonitinho alguma coisa.
   O auto-flagelo que todos deviam tentar, mas me olham torto quando tento explicar. E esse buraco que nem é negro, mas acinzentado com as bordas douradas, como o sol, eu o utilizo muito bem. É como ter um próprio sol, mas só me bronzear às vezes, quando me canso da felicidade fresca. Que uso pra me iluminar as ideias. Mas por que não ter boas ideias na felicidade? Porque aí não falta nada. Felicidade dá essa sensação empanturrada de que não cabe mais nada.
   Vomitar essa tristeza abre espaço pra inspiração. É como uma meditação. Quem usa, entende. Nem adianta falar de humor. É só um vaziosinho do bem. É amigo e não faz mal. Mas o sintoma é ficar quieto, calado, doendo pra rir, querendo produzir. Quem produz, meio que precisa. E quem tem, tem que saber usar.
   É quase um dom, gostar de um aperto assim. Conseguir lidar com a falta de sentido que pousa leve como uma borboleta, fica ali machucando e ajudando, por umas horinhas e depois voa de volta pro esquecimento.
   Falo disso porque acontece. Agora. E não dá pra sentir nada enquanto acontece. Nem amor, ou ódio, ou indiferença. Só o vazio que não vai e que me cai.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Crônica da nostalgia e superstição

   Às vezes me ocorre essa saudade de uma rotina que eu nunca vivi. Não é saudade então essa vontade, mas chega com um gosto de nostalgia que me faz jurar que entendo como é comemorar a chuva e me afirma essa empatia com quem o faz, com quem celebra o raro frio e me faz sorrir.
   E ainda falando de saudade, carrego essa certeza de que cortarei curto o cabelo vez ou outra, pra me lembrar do que aconteceu na primeira vez. Da sorte que eu dei ao te encontrar exato um dia depois do corte. Me ataca algum choro bom quando vasculho essas lembranças.
   A última coisa que eu quero na vida é que te tornes uma lembrança, mas se for o caso, serás a mais linda e viva. A lembrança que tem cor e som. Gosto e cheiro. Luz e sentido. Tato e olhos. Aquela que a gente se obriga a trazer à tona num dia triste, pra ver se fica melhor. Que faz a gente se assustar com o próprio sorriso. Aquela que a gente se pergunta "como acabou virando só lembrança?". Curiosidade essa que nunca quero ter. Antes ter você comigo, fazendo do encontro mais distante o ontem ou o hoje cedo, quando a gente olhava pela janela e comemorava mais uma chuva que veio sem aviso e trouxe tanta serenidade e alegria. Assim como a mais de um ano nos aconteceu ao nos descobrirmos.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

J'adore


Gosto de como você me olha e do fato de ter me contado que me olhava de longe se perguntando se eu era real. Gosto de ouvir suas histórias de infância e de estar de volta com você em lugares onde esteve anos atrás chutando pombos no caminho. Gosto de quando me lembro de como passamos dias evitando olhares nervosos e de como no mais tardar, te olhar de tão perto foi inevitável. Gosto de como mesmo assim eu ficava nervosa e precisava fechar os olhos para respirar, gostei até de como você os abria com os dedos. "Não dorme".
Gosto de como eu te fiz rir caminhando sob um sol de rachar e de ainda assim ser capaz de olhar para o lado por um segundo e encontrar referências do meu diretor de cinema favorito num bosque atrás de você. Gosto do jeito que alguém fez um monumento com a nossa música e faz todo mundo lembrar das improbabilidades que acontecem e gosto mais agora que acho que isso ficou parecido com os primeiros versos de "Us". 
Gosto de como podemos nos sentar, dividir um sorvete e falar de tantas coisas e pessoas que conhecemos a tanto tempo como se fosse algo que sempre fizemos. Gosto de parecer que te conheço a dez anos e de como me conhece como se tivesse me visto nascer.
Gosto de adiantar o que vai dizer, e de acertar, e de ver sua cara de contrariado. Gosto de como concordamos em coisas desimportantes e discordamos em questões existenciais. Gosto do fato de você ter beijado minha mão antes de qualquer outro lugar. 
Gosto de lembrar dos nossos corações fazendo samba na garganta, da textura dos seus cabelos, dos seus cílios superiores e da cor insaturada dos seus olhos. Gosto do seu sorriso e seu riso. Gosto da sua voz falada, cantada, gritada, chorada. Gosto do seu gosto e da sua temperatura. De usar suas meias e de dormir com sua camisa. 
Gosto do seu nome e de falá-lo. Gritá-lo. Sussurrá-lo. Gosto de como me acorda com minha música favorita. Gosto de ter o sono leve, então sei que antes de ligar o som, você fica meio minuto em silêncio sentado na cama, me olhando, talvez. Gosto de como me perdoa tão rápido. Gosto de não conseguir ser orgulhosa com você. De como você me abaixa a guarda e a pressão.
Gosto da sua ameaça de nunca mais me soltar e principalmente, dos seus abraços longos e fortes. E do silêncio que os acompanham. E de como penso em tudo e em nada ao mesmo tempo quando te tenho assim em volta de mim.
Gosto de pensar que gostarei de tudo que te envolva por muito mais tempo, por mais,
Gostaria que soubesse,

J'adore être avec vous.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Timey Wimey Wibbly Wobbly Cardiff

   Só eu  tenho a sensação de às vezes viver em uma rachadura do tempo?
   Como quando algo acontece e nos remete ao futuro, mas claramente só o percebo quando esse futuro chega. Às vezes um acontecimento chama sua atenção. Algo que depois te faz ter certeza de que pertencera a um contexto diferente que não pudera imaginar no momento. Ou um sinal. Uma simples ideia que entenderia mais tarde. Ou seria um acontecimento presente remetendo ao passado?
   Penso o avesso do óbvio por ser convicta de viagens em todas as direções em tempo, espaço e conclusão. O que parece divagação, é hipótese. O que parece não fazer sentido agora, está fazendo no futuro, ou passado, mas em algum momento.
   Uns chamam de destino, outros de coincidência. Eu chamo de tempo. Porque esse por ser relativo, é pobremente analisado em linha reta. Quando na verdade é uma esfera saltitante girando pelo universo e tripulada em azul.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Estiagem

Ontem fui dormir com vaga-lumes no teto. Parecia estar deitada sob o céu. Foi bom para me lembrar de como são as estrelas. Está chovendo a tanto tempo que esses luminosos parecem sentir falta de suas amigas que brilham acima das nuvens.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Raposa

  O que quer dizer isso, quando alguém sobre quem você nada sabe te inspira tanto?
É estranha a expectativa que se cria ao saber nem que seja um pedacinho de tal vida. E é diferente. É completamente diferente de tudo que já se viu.
  Você começa a entender que há algo melhor em algum lugar.
  Você começa a criar situações de paz onde tal inspiração se enche de significado.
  Beleza seca. Beleza trigo, engasgante. Tudo lá. Como pôde odiar um dia? Então você chega a conclusão de que nunca odiou. Almejou. Desejou proximidade. Se encantou de fato. Com aquela falta de cor. Mudança de cor, de temperatura. Nada é uma certeza em quem te inspira.
  E te vem a loucura só de pensar naquilo que inspira quem te inspira. Você pede uma continuidade que de fato não haverá. Que lindo seria esse encontro. Não é só você quem diz, mas quem julga conhecer os dois lados. Vocês teriam muito o que conversar.
  Você vai tentar. Jura que vai tentar se basear nesses aspectos de tons pastéis. Mas nunca superar. Quando se supera a inspiração, essa não passa de uma mediocridade.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Violino

   Você nunca supõe que uma ida medíocre ao banco será a melhor parte do seu dia, até que acontece.
   Do lado de fora, escorado em uma coluna, o jovem violinista nos dava mais que a alegria de sua música. Dava-nos sorrisos. E a meu ver, sinceros.
   A pressa da cidade não me deixou contemplá-lo por muito tempo. Aqui é tudo tão corrido que penso que se eu paro para observar algo por mais de um minuto, acabarei sendo empurrada sob acusações de engarrafar a calçada.
   Continuei espiando-o da fila do banco. Ele parecia tão satisfeito de estar ali! Assim como eu agora também estava.
   E então chegou ao fim a melodia chorosa e harmônica. Olhei por cima das várias cabeças que se sucediam a mim na fila, e o músico estava abaixado junto à caixa do instrumento. Tudo que pude ver foram seus cabelos cor de trigo.
   Ele devia estar contando o lucro daquela tarde. Mas afinal, quanto vale a alegria de ter música em meio a tanto caos? Claro que a maioria passava ao lado dele e com certeza não sentia som algum. Jogavam uma moeda ou outra pelo costume de sempre fazerem isso com quem para na ponta da calçada.
   Eu nunca o daria dinheiro. Não é justo trocar algo tão nobre por um pedaço sujo de papel, cujo existem milhões de cópias por aí.
   Eu lhe retribuiria o sorriso, e talvez ficasse ali, ouvindo até ele se cansar. Mas ambos engarrafariam a calçada.
   Resolvi meus problemas burocráticos, mas o violinista já havia partido quando saí. Olhei para os lados em busca dele, mas nenhum sinal. Só a mesma aglomeração apressada de sempre. Respirei fundo e segui com eles, um pouco mais rápido que eu andaria, para me encaixar.
   Mas a cidade me pareceu mais bonita desde então. Por que apesar de tudo, agora sei que ela esconde o melhor músico que já vi: Um que distribuía sorrisos e não precisava de palcos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Sobre cor e som

  Algo que sempre aconteceu desde que eu me lembre: Imagino as letras do alfabeto acompanhadas de cores. Não porque eu pensei para pintá-las, mas sempre tiveram sua própria cor pra mim.
  Algumas são indefinidas e sempre serão, mas outras, mais legíveis que nunca.
  O "A" é feminino. Sempre o vi rosa. Assim como o "B" é azul escuro. O "C" é de um tom mais claro, meio piscina, enquanto o "D" é praticamente verde oliva.
  O "E" é definitivamente amarelo! A mais nítida das letras. Depois disso, há essa indefinição sobre as letras com as quais não me importo muito. Começa no "F", que não tem cor. (ou que eu não faço questão de colorir).
  Tudo volta a clarear no "M". Ele já foi bordô. Bem escuro. Hoje em dia está vermelhão! Berrando, bonito, emplumado. Passou toda essa vida pra seu visinho, "N", que antes era rosa (não tão rosa quanto o "A". Que fique bem claro!). O "N" hoje é de um vermelho calmo, desbotado do maioral e cintilante "M", que continua todo "leão". (quase o imagino em movimento). O "O" anda meio encardido. Quase pérola, apesar da força.
  O "R" é marrom, claro e forte. Quase tijolo, ou ferrugem. "S" é lilás transparente. Quase não tem som, ora essa! O "T" parece cor de fumaça e o "U" é azul-noite, mais escuro que o "B". E o "V" é muito vinho. Chega a ser fino. O resto volta a se embaralhar. Não penso muito em certas letras.
  E não há mesmo motivo para falar disso, mas acho bonito registrar as cores que sempre me acompanham enquanto escrevo ou falo.
  Prefiro que sejam assim do que monocromaticamente pretas.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Noite dessas

Coloco a cabeça para fora da janela e deixo que o mais forte dos ventos litorâneos brinque com meu cabelo. Ao mesmo tempo, fecho os olhos e deixo a boca esboçar um sorriso enquanto me lembro de cada palavra surpreendente que li, ouvi, falei, pensei e ensaiei dizer. Refleti sobre cada pedido nunca antes feito, que hoje poderia significar um "entre sem bater" e o quanto isso é importante, eu nunca poderei calcular. Ainda mais se considero a máxima "toda brincadeira tem um fundo real". Seus olhares tímidos agora se limitam aos meus exageros. Mas quando percebo, já exagerei.
   E já que confia em meus argumentos, devo pensar que sei lidar com as palavras e usá-las da melhor forma.
   Sempre foste minha maior inspiração. Acho incrível isso de um Ser Humano trazer tanta felicidade. É que ultimamente o que nos deixa feliz é um pedaço de papel que pode ser levado pelo vento. Ah, o vento! Tirou mesmo meu cabelo pra dançar. Eles rodopiam e rodopiam e rodopiam...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Fora de Órbita

  Deve mesmo ter sido um fim de semana terrível no Japão. Terrível como se um malvado roubasse a Lua e por isso a Terra começasse a tremer e a maré ficasse descontrolada. Foi tão feio que não noticiaram na tevê, por piedade do resto do mundo.
  Os heróis estavam festejando algo, sem se lembrar do dever com a humanidade. Ainda assim, por motivos de força maior, no mais preguiçoso dos dias, o Malvado devolve a Lua para sua órbita original. Fora tudo uma brincadeira.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Madrugada libanesa

Uma noite agradável. Muitas risadas, certas descobertas, sentimento de presença. Visão.
Estio. Houve esgotamento. Você se retira quando o que te interessa se retira.
Tudo parece cinza de repente. Janela fechada, estava frio.
Nem adiantava tentar dormir. Duas da manhã, corpo cansado, mente eufórica, ligada, voltava a fita. Não pela primeira vez, abafei crises de risos no travesseiro. Mas precisava dormir, afinal.
Três da manhã. Música costumava me acalmar. Tentei Chris Martin e sua fanhonice. Já havia um coro dele em minha cabeça fazia horas. Não funcionou.
Penniman! Mika Penniman! Bravo! Falemos um pouco dele, que faz música magicamente. Saiu do Líbano, ainda criança. País de guerras, aquele. O destino seria Paris, onde ficou tempo o bastante para aprender francês. E depois. Lodres! Oh, Londres! Eu simplesmente adoro o inglês do Sr. Penniman! Costumo gostar do inglês entrangeiro. (Menos o dos indianos. Tenham dó!).
Após doses de Mika, e de refletir um pouco sobre sua história, me lembrei que me assemelho: Certa tristeza por trás de tanta felicidade. Tantas cores em fundo cinza... Mas pensar profundamente sobre mim sempre provoca preguiça. Dormi, enfim. Esse libanês sempre me vale.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Vidro da janela

A aflição de segurar em sua mão uma criaturinha sem vida.
Queria poder fazer algo.
Queria ter poderes.
Mas quando começa a contemplar como é tão lindo.
Tão delicado.
Tão leve.
Havia uma rachadura no bico. Mal saía sangue.
Não havia um minuto, ainda estava voando.
E agora ali, tendo suas asas esticadas por mim.
É uma pena. Não. São várias. verdes, verdes.
Eu nunca fui em velório algum.
Mas imagina só, se já foi difícil me despedir daquele passarinho que nem conheci quando vivo.
Só a agonia de presenciar a morte nos deixa assim, saudosos. Bondozos.
Aquele bichinho nunca precisou de mim hora alguma
E agora eu acho que precisava dele ainda voando por aí.
Só voando. Sem eu nem ver.
Mas vivo.